Livros · Resenhas de Livros

Onde Cantam os Pássaros – Evie Wild

Sabe aquele livro que você termina e pensa “esqueceram o resto do livro”? Foi a primeira coisa que pensei ao terminar Onde Cantam Os Pássaros escrito por Evil Wyld. Apenas depois de refletir muito sobre o livro – no qual odiei no primeiro momento – e analisa-lo racionalmente, consegui iniciar essa resenha.

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Vou inciar falando um pouco sobre a autora. Evie Wyld vive em Londres e tem uma biblioteca “simpática” (como relatado no próprio livro). A autora tem uma quantidade significativa de prêmios, já lançou três livros e Onde Cantam Os Pássaros – seu segundo romance – foi indicado a diversos prêmios. O livro resenhado hoje é “Uma história repleta de uma beleza perturbadora […] Uma obra engenhosa, como o melhor de Nabokov” e a autora é “Uma de nossas romancistas mais talentosas da nova geração” de acordo com os elogios presentes na quarta capa.

No minimo, impressionante. Essas informações e as diversas criticas positivas me iludiram ao pensar que seria um dos melhores livros do ano, mas a leitura da primeira página até a última foi ao mesmo tempo curiosa e, principalmente, decepcionante.

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A narrativa em primeira pessoa geralmente ajuda o leitor a se aproximar da personagem e se inserir mais rápido na história, mas nesse caso os dois fatores citados vão depender muito do leitor e se ele simpatiza com a personalidade da protagonista. Os capítulos ímpares narram o presente da protagonista e os pares narram o passado. Enquanto o presente é linear, o passado segue uma linearidade ao contrário, ou seja, vai de frente para trás e o último capitulo ímpar mostra a origem da história.

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Jake Whyte vive em uma fazendo com seu cachorro Cão em uma ilha britânica. Jake cria ovelhas e algo está matando-as, elas são pegas a noite e ficam retalhadas. Ela está decidida a descobrir o que está fazendo isso, sendo humano ou animal.

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Jake é reclusa e não tem muitos amigos. Vista pelas pessoas da cidade como uma pessoa estranha e implicada pelas “crianças de merda”, ela não faz questão de ter muitos amigos. A fazenda na qual mora foi comprada de Don, que ainda mora na cidade, próximo a antiga fazenda. Don é o único amigo de Jake, a ajuda em algumas tarefas e conversa com ela algumas vezes, mas nada além disso. O tipo de amizade “cada um na sua”. Enquanto Lloyde, um homem que está mais para andarilho, aparece em seu galpão uma noite e dorme lá mesmo, mas ao se mostrar companheiro e Jake gostar da sua presença, ele fica na casa de uma maneira natural, quando eles simplesmente param de falar em levar ele embora.

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O desenvolvimento se baseia na Jake do presente tentando descobrir o mistério da morte das ovelhas e a Jake do passado revelando os segredos para o leitor.

No inicio da leitura imaginei o passado de Jake se conectando com os fatos do presente e o que encontrei foi uma trágica tentativa da autora de fazer uma obra muito boa criando vários significados implícitos de elementos da história, como os pássaros, que estão em cada local que ela vai, sabendo a espécie exata só de ver a forma ou ouvir o canto, como se ela estivesse obcecada em busca de liberdade; o automóvel (um caminhão), que tem o mesmo significado dos pássaros: liberdade, como ela mesmo se refere em “Se você tem rodas, percebo, é livre.” ; o cachorro Cão, um símbolo de lealdade; a desconfiança, característica do presente, explicada com seu trágico passado; entre outros.

Tais elementos quando não se conectam no final da história, só servem para gastar folhas, e foi exatamente isso que aconteceu. A autora se preocupou tantos nesses elementos individuais que se esqueceu da obra completa e nem se deu o trabalho de revisar o livro, já que deixa diversas questões em aberto, como se o livro estivesse com capítulos a menos.

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O esquema passado-futuro se conecta apenas para o leitor descobrir as origens do comportamento e do psicológico de Jake do presente. Contudo, os fatos atuais (ovelhas mortas) não tem nenhuma conexão com os fatos do passado e isso não seria um problema se a autora deixasse claro no que ela queria focar, no psicológico da Jake, mas ao invés disso ela mostrou um objetivo (que não cumpriu), que é encontrar a origem dos assassinatos.

Do começo ao fim o desenvolvimento foi um tanto confuso, ao entender a conexão emocional e psicológica esperei um desfecho para a trama principal e o que encontrei foi um final decepcionante, do tipo “aberto”, aquele que cabe ao leitor e sua criatividade interpretar o final.

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Sempre que vou ler um livro me coloco no lugar do personagem, mesmo não concordando com sua personalidade ou atitudes, tento compreender o máximo possível. Lá em cima disse que cabe ao leitor se vai se aproximar ou não de Jake e no meu caso o problema não foi a aproximação, foi a indignação com a personagem tão contraditória. Como exemplo, quando Lloyde aparece na trama e ela não demonstra tamanha resistência, que aparentemente deveria ser uma característica de sua personalidade. A autora não define se Jake está apenas querendo ele como um amigo – quando diz que gosta da sua presença e da sua ajuda – ou o vendo com uma certa sensualidade – quando seus cabelos meio grisalhos esvoaçam no vento ou quando ela imagina a toalha presa em sua cintura caindo.

Além disso, a personagem me deixou indignada quando ela motivada por não sei o que (uma força maior ou apenas distração) inicia o “problema” que faz ela estar onde está no presente. A autora não deixa claro.

Os diálogos me deixaram bem entendiadas, os capítulos dão um certo desanimo pelo fato de que tem muitas partes “fragmentadas” e fazem parecer que estão desconexos.

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O livro dá para ser lido sim, como é curto eu li em três dias e só uma hora depois que terminei refleti e vi o quanto defeito vi nele, que nem havia reparado durante a leitura, já que apresenta uma linguagem bem tranquila e a leitura fluiu bem. E por isso não achei de um todo ruim, apesar de tudo a curiosidade em relação ao mistério do passado e o desfecho do presente me fizeram não abandonar o livro.

Onde Cantam Os Pássaros tem um estilo “ligue os pontos” ou “quebra cabeça”, o que (particularmente) eu gosto. Livros de mistério que me fazem ter suposições e ir me surpreendendo no decorrer da história ao descobrir a origem de tudo. O livro No Escuro da Elizabeth Haynes segue esse padrão quebra cabeça e a autora deixa bem claro a conexão realizada entre o presente e o passado, a do psicológico e do comportamento da protagonista, mas ao mesmo tempo nos deixa curiosos para saber os fatos do passado e seu comportamento no presente. Executando muito bem a proposta estabelecida no livro. Evie Wyld joga os fatos do passado, os do presente, estabelece inicialmente um objetivo, que é encontrar o responsável pelos assassinatos conectando o presente e o passado, e no desenvolvimento estabelece outro objetivo, que é conectar presente e passado dando uma explicação para o comportamento da Jake do presente. Wyld cumpre o objetivo que posso  dizer secundário, dando uma explicação para seu psicológico e não cumpre o objetivo principal, aquele que me deixou instigada a ler o livro: o mistério da morte das ovelhas.

Devo dizer que meu problema foi com as diversas falhas que o livro apresenta e não com o modo que a autora escreve ou com a trama. Sempre que vou ler um livro me coloco no lugar do personagem, mesmo não concordando com sua personalidade ou atitudes, tento compreender o máximo possível, mas chega um ponto que não adianta mais forçar compreender o personagem.

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Quanto a edição não tenho nada a reclamar, Darkside Books mostra a cada livro que é boa no que faz. Como fui mostrando no decorrer da resenha essa edição vem com fita para marcar, é em capa dura, tem uma arte linda por dentro, a diagramação é boa, a combinação de cores é linda e tem as bordas pretas.

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Geralmente quando não gosto de um livro, ou vendo, ou dou para alguém. Nesse caso vou deixa-lo em casa e empresta-lo para todos que queiram ler, pois é um livro que gera muitas interpretações diferentes e pode ser que alguém goste.

Caso ainda queira ler o livro te recomendo a resenha da Juliana Fiorese, ela amou o livro e a resenha dela ficou muito boa.

Obrigada por ler até aqui. Beijos ❤

Ficha Técnica

Titulo: Onde Cantam Os Pássaros (skoob)

Autor(a): Evie Wyld

Editora: Darkside Books

Páginas: 256

Estrelas: 2

 

 

 

 

 

 

 

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5 comentários em “Onde Cantam os Pássaros – Evie Wild

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